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SÃO
FRANCISCO DE ASSIS
Filho de Pedro e Dona Pica Bernardone,
Francisco nasceu entre 1181 e 1182 , na cidade de Assis, Itália.
Seu pai era um rico e próspero comerciante, que seguidamente
viajava para a França, de onde trazia a maior parte de suas
mercadorias. Foi de lá também que ele trouxe sua linda
e bondosa esposa, Dona Pica. O menino foi batizado com o nome de Giovanni,
(João - provavelmente se referindo ao espírito luminoso
que nesse corpo estava presente, isto é, reencarnação
de João Evangelista, o discípulo amado de Jesus), que
o pai logo mudou para Francesco (ou seja, francês), em homenagem
à França, terra natal da esposa e destino de suas freqüentes
viagens comerciais.
LIDER
DA JUVENTUDE
Dedicado primeiramente
à atividade do pai, teve uma adolescência despreocupada:
hábil negociante de tecidos e pródigo esbanjador,
foi um espírito aventureiro e ávido de glória.
Foi alfabetizado na escola paroquial de São Jorge em Assis,
aprendendo, além do latim, alguns elementos de francês
(sobretudo o provençal).
Francisco era o líder
da juventude de sua cidade.Alegre, amante da música e das
festas, com muito dinheiro para gastar, tornou-se rapidamente um
ídolo entre seus companheiros. Adorava banquetes, noitadas
de diversão e cantar serenatas para as belas damas de sua
cidade.
Em 1202, participou
das lutas entre Perúgia e Assis; aprisionado pelos perusinos,
foi libertado no ano seguinte. Francisco de Assis fez uma viagem
(1205) à Puglia para fazer-se armar cavaleiro nas tropas
pontifícias de Gautier de Brienne, mas foi detido em Spoleto
por um sonho em que lhe era feito o convite de seguir antes "o
senhor do que o servo". Então voltou a Assis, onde passou
a se dedicar a uma vida de meditação e de piedade:
remontam a esse período os atos de heróica caridade
para com os pobres e os leprosos. Também para fugir à
ira do pai, passou o outono de 1205 na igrejinha de São Damião,
aos pés do monte Subasio, onde fez trabalhos de restauração,
após ter ouvido por três vezes o convite do Crucificado:
"Vai, Francisco, e restaura a minha igreja que, como vês,
está em ruínas".
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CONFLITOS ENTRE FEUDOS E COMUNAS
A Itália, como
toda a Europa daquela época, vivia uma fase bastante conflituosa
de sua história, marcada pela passagem do sistema feudal
(baseado na estabilidade, na servidão e nas relações
desiguais entre vassalos e suseranos) para o sistema burguês,
com o surgimento das "comunas" livres (pequenas cidades),
com seu comércio, artesanato e pequenas indústrias.
Com o novo sistema, mudaram-se as relações. O poder
dos senhores feudais passou a ser questionado e enfrentado pelos
novos senhores, originários das comunas, a maioria deles
constituída pelos comerciantes mais abastados, a exemplo
de Pedro Bernardone.
Eram freqüentes,
nesta época, guerras e batalhas entre os senhores feudais
e as emergentes comunas. Como todo jovem ambicioso de sua época,
Francisco desejava conquistar, além da fortuna, também
a fama e o título de nobreza. Para tal, fazia-se necessário
tornar-se herói em uma dessas freqüentes batalhas. No
ano de 1201, incentivado por seu pai, que também ansiava
pela fama e nobreza, Francisco partiu para mais uma guerra, que
os senhores feudais, baseados na vizinha cidade de Perúsia,
haviam declarado contra a Comuna de Assis.
Durante os combates,
em uma tarde de inverno, Francisco caiu prisioneiro, sendo levado
para a prisão de Perúsia, onde permaneceu longos e
gelados meses. Para um jovem cheio de vida como ele, a inércia
da prisão deve ter sido especialmente dolorosa! Somente seu
espírito alegre, seu temperamento descontraído e seu
gosto pela música o salvaram do desespero. Encontrava ainda
forças para reconfortar e reanimar seus companheiros de infortúnio.
Costumava dizer, em
tom de brincadeira para seus companheiros: "Como quereis que
eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? O mundo
inteiro ainda falará de mim!"
Ao término de
um ano foi solto da prisão, retornando para Assis, onde se
entregou novamente aos saudosos divertimentos da juventude e às
atividades na casa comercial de seu pai.
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O INÍCIO DA CONVERSÃO
O clima insalubre da
prisão, agravado pelos prolongados meses de inverno, haviam-lhe
enfraquecido o organismo, provocando agora uma grave enfermidade.
Depois de longos meses de sofrimento, sem poder sair da cama, finalmente
conseguiu melhorar. Ao levantar-se, porém, não era
mais o mesmo Francisco. Sentiu-se diferente, sem poder compreender
o porquê.
A verdade é
que a humilhação e o sofrimento da prisão,
somados ao enfraquecimento causado pela doença, provocaram
profundas mudanças no jovem Francisco. Foi o caminho que
Deus escolheu para entrar mais profundamente em sua vida. Já
não sentia mais prazer nas cantigas e nos banquetes em companhia
dos amigos. Começou a perceber a leviandade dos prazeres
puramente terrenos, embora ainda não buscasse a Deus. Na
verdade, Francisco não nasceu santo, mas lutou muito para
se tornar santo!
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MAIS UMA GUERRA !
Francisco havia perdido
o gosto pelos prazeres mundanos, mas conservava ainda a ambição
da fama. Por esse motivo, sonhava com a glória das armas
e a nobreza, que se conquistavam nos campos de batalha.
Por isso, aderiu prontamente
ao exército que o Conde Gentile de Assis estava organizando
para ajudar o Papa Inocêncio III na defesa dos interesses
da Igreja. Contou para isso com a aprovação entusiasmada
do pai, que vislumbrava aí a oportunidade tão longamente
esperada de enobrecer sua família. Deus, porém, lhe
reservava algumas surpresas ...
Antes de partir, num
impulso de generosidade, Francisco cedeu a um amigo mais pobre os
ricos trajes e a armadura caríssima que havia preparado para
si. Isso lhe valeu um sonho estranho: viu um castelo repleto de
armas destinadas a ele e a seus companheiros. Francisco não
conseguiu entender o significado do sonho. Pensou que estava, talvez,
destinado a ser um famoso guerreiro! O fato é que o sonho
não lhe saía do pensamento.
O CHAMADO DE DEUS
Ao chegar ao povoado
de Espoleto, Deus tornou a lhe falar em sonhos, desta vez com maior
clareza, de modo que ele reconheceu a voz divina que lhe perguntava:
"A quem queres servir: ao Servo ou ao Senhor?" Francisco
respondeu prontamente: "Ao Senhor, é claro!" A
voz tornou a lhe falar: "Por que insistes então em servir
ao servo? Se queres servir ao Senhor, retorna a Assis. Lá
te será dito o que deves fazer!" Francisco entendeu,
então, que estava buscando apenas a glória humana
e passageira. Estava fazendo a vontade de pessoas ambiciosas e mesquinhas
e não a vontade do Senhor do Universo.
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RETORNO A ASSIS
Desafiando os sorrisos
de desdém dos vizinhos e a cólera de Pedro Bernardone,
contrariado em seus projetos, Francisco retornou a Assis, dando
prova da energia de seu caráter e do valor do seu ânimo,
virtudes que se mostrariam valiosas mais tarde nos percalços
de seu novo caminho.
Começou a longa
busca e a longa espera: "O que Deus quer de mim? O que Ele
quer que eu faça?" Era esse o constante questionamento
de Francisco.
Sentia um vazio dentro
de si, que as festas, farras, bebedeiras e guerras não conseguiam
mais preencher. Estava inquieto e insatisfeito, mas não sabia
bem porquê.
Em vão tentaram
seus amigos atraí-lo outra vez para suas diversões,
banquetes e trovas. Até o fizeram coroar, durante uma festa,
como o "Rei da Juventude", mas nada disso o comoveu. Já
não era isso que o atraía. Sua busca era outra...
Para tentar desvendar
os desígnios de Deus, passou a se dedicar à oração
e à meditação. Percorria campos e florestas
em busca de lugares mais tranqüilos, em busca de respostas
para suas dúvidas e inquietações. Para ele,
tudo passou a ter outro sentido. Passou a enxergar as coisas com
outros olhos e outro coração.
VIAGEM A ROMA
Em busca de respostas,
decidiu viajar para Roma, isso no ano de 1205. Visitou a tumba do
Apóstolo São Pedro e, indignado pelo que viu, exclamou:
"É uma vergonha que os homens sejam tão miseráveis
com o Príncipe dos Apóstolos!" E jogou um grande
punhado de moedas de ouro, contrastando com as escassas esmolas
de outros fiéis menos generosos. A seguir, trocou seus ricos
trajes com os de um mendigo e fez sua primeira experiência
de viver na pobreza.
Voltou a Assis, à
casa paterna, entregando-se ainda mais à oração
e ao silêncio. A família e os amigos estavam preocupados
com o jovem Francisco: o que lhe estaria acontecendo? Será
que ainda estava em pleno juízo? Seu pai, então, não
se conformava! Não era isso que ele tinha sonhado para seu
filho! Indignado, forçava-o a trabalhar cada vez mais em
seu estabelecimento comercial.
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O BEIJO NO LEPROSO
Em 1206, passeando
a cavalo pelas campinas de Assis, viu um leproso, que sempre lhe
parecera um ser horripilante, repugnante à vista e ao olfato,
cuja presença sempre lhe havia causado invencível
nojo.
Mas, então,
como que movido por uma força superior, apeou do cavalo,
e, colocando naquelas mãos sangrentas seu dinheiro, aplicou
ao leproso um beijo de amizade. Talvez a motivação
para este nobre e significativo gesto tenha sido a recordação
daquela frase do Evangelho: "Tudo o que fizerdes ao menor de
meus irmãos, é a mim que o fazeis" (Mt 10,42).
Falando depois a respeito desse momento, ele diz: "O que antes
me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e
do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me
a Deus".
O CRUCIFIXO DE SÃO DAMIÃO
- NOVO CHAMADO DE DEUS
Pouco depois, entrou
para rezar e meditar na pequena capela de São Damião,
semidestruída pelo abandono. Estava ajoelhado em oração
aos pés de um crucifixo, que a piedade popular ali venerava,
quando uma voz, saída do crucifixo, lhe falou: "Francisco,
vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas".
Não percebendo o alcance desse chamado e vendo que aquela
Igrejinha estava precisando de urgente reforma, Francisco regressou
a Assis, tomou da loja paterna um grande fardo de fina fazenda e
vendeu-a. Retornando, colocou o dinheiro nas mãos do sacerdote
de São Damião, oferecendo-se para ajudá-lo
na reconstrução da capela com suas próprias
mãos.
Conhecendo o caráter
de Pedro Bernardone, é fácil imaginar sua cólera
ao ver desfalcada sua casa comercial e perdido o seu dinheiro. Não
bastava já o desfalque que dava ao entregar gratuitamente
mercadorias e alimentação para os "vagabundos"
necessitados? Agora mais essa! E Francisco teve que se esconder
da fúria paterna.
Certo dia saiu resolutamente
a mendigar o sustento, de porta em porta, na cidade de Assis. Para
Bernardone, isso já era demais! Como podia ele envergonhar
de tal forma sua família? Se seu filho havia perdido o juízo,
era necessário encarcerá-lo! Assim, Francisco experimentou
mais uma vez o cativeiro, desta feita num escuro cubículo
debaixo da escada da própria casa paterna. Pelo que sabemos,
depois de alguns dias, movida pela compaixão, sua mãe
abriu-lhe, às escondidas, a porta e o deixou partir livremente
para seguir o seu destino.
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UMA DECISÃO CORAJOSA
Ao final de 1206, Pedro
Bernardone, convencido de que nem as razões nem a força
podiam torcer o ânimo de Francisco, decidiu recorrer ao Bispo,
instaurando-se um julgamento como nunca aconteceu na história
de outro santo. O palco do julgamento foi a própria Praça
Comunal de Assis, bem à vista de todos.
Bernardone exigiu que
seu filho lhe devolvesse tudo quanto recebera dele. Francisco, ciente
da sentença de Cristo: "Quem ama o seu pai ou a sua
mãe mais que a Mim, não é digno de Mim"
(Mt 19,29), sem vacilar um momento, se despojou de tudo até
ficar nu, jogou os trajes e o dinheiro aos pés de seu pai,
e exclamou: "Até agora chamei de pai a Pedro Bernardone.
Doravante não terei outro pai, senão o Pai Celeste".
O Bispo, então, o acolheu, envolvendo-o com seu manto.
Daquele momento em
diante, cantando "Sou o arauto do Grande Rei, Jesus Cristo",
afastou-se de sua família e de seus amigos e entregou-se
ao serviço dos leprosos, tratando de suas feridas, e à
reconstrução das Capelas e Oratórios que cercavam
a cidade. Cada dia percorria as ruas mendigando seu pão e
convidando as pessoas para que contribuíssem com pedras e
trabalho na restauração das "Casas de Deus"
que estavam em ruínas.
O LOUCO DE ASSIS
De alguns recebia apoio
e incentivo. De muitos, o desprezo e a zombaria. No entender da
maioria, o filho de Pedro Bernardone havia perdido completamente
o juízo! E não só a garotada da cidade escarnecia
dele, chamando-o de louco e outros qualificativos menos nobres.
Mais de uma vez sentiu-se
tentado a voltar atrás, quando chegava à porta de
seus antigos amigos; mas saía vitorioso nessas lutas entre
o orgulho humano e o próprio ideal. Já alguns começaram
a reconhecer nele traços do futuro santo, embora ele mesmo
ainda não conhecesse claramente sua vocação.
Estava já terminando
a restauração da última igrejinha da redondeza,
a capelinha de Santa Maria dos Anjos e perguntava-se o que faria
depois. O que mais lhe pediria Deus? Não havia entendido
ainda que a Igreja que devia restaurar não era a de pedra,
mas a própria Igreja de Cristo, enfraquecida na época
pelas divisões, heresias e pelo apego de seus líderes
às riquezas e ao poder.
Devia ser aquele o
ano de 1209. Certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura
do Evangelho: tratava-se da passagem em que Cristo instruía
seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo, "sem túnicas,
sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem
dinheiro no bolso ..." (Lc 9,3). Tais palavras encontraram
eco em seu coração e foram para ele como intensa luz.
E exclamou, cheio de alegria: "É isso precisamente o
que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!"
E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua
vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais
tarde, também para seus companheiros: "Nossa regra de
vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo"!
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OS PRIMEIROS SEGUIDORES
A partir daquele dia, Francisco iniciou sua vida de pregador
itinerante, percorrendo as localidades vizinhas e pregando, em palavras
simples, o Evangelho de Cristo.
Muitos começaram,
enfim, a compreender o sentido dessa vida e manifestaram o desejo
de segui-la. O primeiro foi um homem rico de Assis, Bernardo de
Quintaval. Ao perguntar para Francisco: "O que devo fazer para
seguir-te" ? Este decidiu, como em todos os momentos decisivos
de sua vida, recorrer ao Evangelho, para que o próprio Cristo
lhes desse a resposta.
O CAMINHO DO EVANGELHO
De manhã, bem cedo, foram ambos à missa. Pelo
caminho juntou-se aos dois Pedro de Catânia, doutor em Direito
e novo companheiro.
Por três vezes
abriram o livro do Evangelho, e as três respostas que encontraram
foram as seguintes:
"Se queres ser
perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem
e segue-me" (Mt 19,21).
"Não leveis
nada pelo caminho, nem bastão, nem alforje, nem uma segunda
túnica..." (Lc 9,3).
"Se alguém
quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada
dia e siga-me" (Mt 16,24).
"Isto é
o que devemos fazer, e é o que farão todos quantos
quiserem vir conosco" exclamou Francisco, que subitamente
viu brilhar uma luz sobre o caminho que ele e seus companheiros
deveriam seguir. Finalmente encontrou o que por tanto tempo havia
procurado! Isto aconteceu a 24 de fevereiro de 1208, dando início
à fundação da Fraternidade dos Irmãos
Menores.
No mesmo dia, Bernardo
de Quintaval vendeu todos os seus bens e repartiu o dinheiro entre
os pobres de Assis.
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O PRIMEIRO SACERDOTE FRANCISCANO
O exemplo de Bernardo produziu frutos. O primeiro é o
sacerdote Silvestre, que exclamou comovido: "Como posso eu,
sacerdote e velho, ser menos generoso que estes jovens e ricos?"
E, sem mais, lançou-se com eles na aventura de viver o Evangelho.
Tornou-se, assim, o primeiro sacerdote da Ordem Franciscana!
Prontamente aderiram
outros: Gil, um modesto lavrador que se tornaria um grande santo;
Morico, dedicado ao serviço dos leprosos; Bárbaro,
futuro missionário no Oriente; Sabatino, Bernardo de Viridiante,
João de Constança, Ângelo, da ilustre família
dos Tancredo, aparentado com reis e príncipes; Felipe, grande
pregador; e muitos outros...
Juntos, formaram um
grupo de mendigos voluntários (daí o adjetivo de Ordem
Mendicante dado à Ordem Franciscana), que trabalhavam e rezavam,
cantavam e pregavam, maravilhando o povo com a novidade do Evangelho
sendo vivido diante de seus próprios olhos. Algumas choupanas
cobertas de folhagem, no pitoresco vale do Rivotorto, serviam-lhes
de modesto abrigo.
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A APROVAÇÃO DA IGREJA
No ano de 1210, Francisco e seus seguidores viajaram até
Roma para buscar a aprovação do Papa para o seu modo
de vida. Mas como aquele bando de mendigos, maltrapilhos e desconhecidos
seria recebido pelo severo Inocêncio III? Francisco rezava
e confiava. Afinal, não era o próprio Cristo que o
estava conduzindo?
Por coincidência
ou providência divina, encontrava-se em Roma, nessa ocasião,
o Bispo de Assis, grande admirador de Francisco. Graças a
ele o Papa os recebeu.
Inocêncio III
ficou maravilhado com o propósito de vida daquele grupo e,
especialmente, com a figura de Francisco, a clareza de sua opção
e a firmeza que demonstrava. Reconheceu nele o homem que há
pouco vira em sonho, segurando as colunas da Igreja de Latrão
(a igreja-mãe de todas as Igrejas do mundo!), que ameaçava
ruir. O Papa reconheceu que era o próprio Deus quem inspirava
Francisco a viver radicalmente o Evangelho, trazendo vida nova a
toda a Igreja, naquele tempo tão distanciada dos ensinamentos
de Cristo! Por isso deu a seu modo de viver o Evangelho a aprovação
oficial da Igreja. Autorizou Francisco e seus seguidores a pregar
o Evangelho nas igrejas e fora delas e os despediu com sua bênção.
Este fato histórico ocorreu a 16 de Abril de 1210, marcando
o nascimento oficial da Ordem Franciscana.
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O
Cântico das Criaturas(ou Cântico do Irmão Sol)
Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor,
a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é
digno
De te mencionar
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor
irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua
e as Estrelas,
Que no céu formaste-as
claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado,
Ou sereno, e todo o
tempo,
Pelo qual às
tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é muito
útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas
a noite,
E ele é belo
e fecundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã
a mãe Terra,
Que nos sustenta e
governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por
teu amor,
E suportam enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por Ti, Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã
a Morte corporal,
Da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
Conformes à
tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda
não lhes fará mal!
Louvai e bendizei ao meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande
humildade.
Exortação ao Louvor do Senhor
"Temei a Deus e lhe dai Glória"(Ap 14,7).
Digno é o Senhor
de receber o louvor e a honra(cf. Ap 4,11).
Todos os que temei
ao Senhor, louvai-o(cf. Sl 21,24).
"Alegra-te, cheia
de graça, o Senhor está contigo"(Lc 1,28).
Céu e terra,
louvai-o(cf. Sl 68,35).
Todos os rios, louvai
o Senhor(cf. Dn 3,87).
"Bendizei, filhos
de Deus, o Senhor"(Dn 3,82).
"Este é
o dia que o Senhor fez, alegre, exultemos por ele"(Sl 117,24).
Aleluia, aleluia, aleluia!
"Rei de Israel"(Jó 12,13)!
"Tudo que respira
louve o Senhor"(Sl 150,6).
"Louvai o Senhor
porque é bom"(Sl 146,1); todos os ledes estas palavras,
"bendizei o Senhor"(Sl 102,21).
"Todas as criaturas,
bendizei o Senhor"(Sl 102,22).
Todas as aves do céu,
louvai o Senhor(cf. Dn 3,80; Sl 148,7-10).
"Todos os servos,
louvai o Senhor"(Sl 112,1).
Jovens e donzelas,
louvai o Senhor(cf. Sl 148,12).
"Digno é
o Cordeiro imolado" de receber louvor, glória e honra(Ap
5,12).
"Bendita seja
a santa Trindade e a indivisa Unidade"(Missa da Santíssima
Trindade).
"São Miguel
Arcanjo, defendei-nos no combate"(Missa de São Miguel
Arcanjo).
Elogio às Virtudes
Salve, rainha sabedoria, o Senhor te guarde por tua santa irmã,
a pura simplicidade!
Senhora santa Pobreza,
o Senhor te guarde por tua santa irmã, a humildade!
Senhora santa caridade,
o Senhor te guarde por tua santa irmã, a obediência!
Santíssimas
virtudes todas, guarde-vos o Senhor, de quem procedeis e vindes
a nós!
Não existe no
mundo inteiro homem algum em condições de possuir
uma de vós, sem que ele morra primeiro.
Quem possuir uma de
vós e não ofender as demais, a todas possui; e quem
a uma ofender, nenhuma possui e a todas ofende. E cada uma por si
destrói os vícios e pecados.
A santa sabedoria confunde
Satanás e todas as suas astúcias.
A pura e santa simplicidade
confunde toda sabedoria deste mundo e a prudência da carne.
A santa pobreza confunde
toda cobiça e avareza e solicitudes deste século.
A santa humildade confunde
o orgulho e todos os homens deste mundo e tudo quanto há
no mundo.
A santa caridade confunde
todas as tentações do demônio e da carne e todos
os temores carnais.
A santa obediência
confunde todos os desejos sensuais e carnais e mantém o corpo
mortificado para obedecer ao espírito e obedecer ao seu irmão,
e torna o homem submisso a todos os homens desse mundo, e nem só
aos homens, senão também a todas as feras e animais
irracionais, para que dele possam dispor a seu talante, até
o ponto que lho for permitido do alto pelo Senhor(cf. Jó
19,11)
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Oração atribuída a São Francisco
de Assis
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio,
que eu leve o amor;
Onde houver ofensa,
que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia,
que eu leve a união;
Onde houver dúvida,
que eu leve a fé;
Onde houver erro, que
eu leve a verdade;
Onde houver desespero,
que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza,
que eu leve alegria;
Onde houver trevas,
que eu leve a luz.
Ó mestre, fazei
que eu procure mais consolar que ser consolado;
compreender, que ser
compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando
que se recebe,
é perdoando
que se é perdoado,
e é morrendo
que se vive
para a Vida Eterna.
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